A APIGRAF – Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas, de Embalagem e de Comunicação Digital, em colaboração com a Imprensa Nacional, inaugurou ontem, 22 de julho, na Galeria Imprensa Nacional, na Biblioteca da IN, em Lisboa, uma exposição intitulada "Tempo da Impressão, Impressão do Tempo", dedicada à contemporaneidade deste setor, à sua memória histórica e à do Movimento Associativo dos Industriais Gráficos.
A mostra parte do livro 170 Anos do Movimento Associativo dos Industriais Gráficos, editado pela APIGRAF, e do trabalho fotográfico de Paulo Catrica, desenvolvido no âmbito do projeto, para construir um percurso em torno da memória, da representação e da evolução da indústria gráfica portuguesa.
A escolha da Galeria Imprensa Nacional, na Biblioteca da IN, para acolher a exposição estabelece uma ligação direta com a história da impressão em Portugal. A Imprensa Nacional foi fundada naquele local em 1768, tendo assumido desde os seus primeiros anos funções relacionadas com a atividade tipográfica, a fundição de tipos, a formação de profissionais e a transmissão do conhecimento técnico entre gerações.
O edifício atual resulta, em grande medida, das obras realizadas no final do século XIX, destinadas a criar uma unidade industrial equipada de acordo com os padrões mais avançados da época. A designação Imprensa Nacional consolidou-se após a implantação do regime liberal, traduzindo a passagem de uma imprensa associada à Coroa para uma instituição ao serviço da nação.
A Imprensa Nacional juntou-se à Casa da Moeda em 1972, dando origem à atual Imprensa Nacional-Casa da Moeda. A Casa da Moeda tem, por sua vez, mais de 700 anos de história, sendo uma das instituições portuguesas com maior continuidade de funcionamento.
Ao longo dos séculos, a Imprensa Nacional esteve também ligada a várias figuras da cultura portuguesa e à formação de sucessivas gerações de profissionais. Antero de Quental passou pela instituição para aprender o ofício de tipógrafo, numa aproximação às ideias políticas e sociais do seu tempo. A exposição assinala essa ligação, a par da relação da instituição com outros nomes da literatura e da cultura portuguesa.
A formação profissional constituiu igualmente uma parte importante da atividade da Imprensa Nacional. A instituição manteve durante décadas uma escola destinada à preparação de trabalhadores especializados, cuja atividade se prolongou até 1975. Alguns dos profissionais formados nos últimos anos dessa escola continuaram a trabalhar na instituição durante várias décadas, preservando técnicas, conhecimentos e experiências fundamentais para a continuidade da atividade gráfica.
A Exposição "Tempo da Impressão, Impressão do Tempo" ocupa dois espaços distintos. Na Galeria Imprensa Nacional ("Tempo da Impressão") encontram-se as fotografias de Paulo Catrica e uma instalação do livro 170 Anos do Movimento Associativo dos Industriais Gráficos. Esta apresentação permite observar diferentes elementos da construção da obra e compreender de que forma a fotografia, os documentos, os materiais e a memória se articulam na leitura da história do setor.
Numa sala contígua ("Impressão do Tempo"), o livro é apresentado em diálogo com duas referências da cultura tipográfica e gráfica portuguesa: Antero de Quental e Manuel Pedro, autor de A Arte na Tipografia, obra editada pelo Grémio Nacional dos Industriais Gráficos. Estão igualmente expostas gravuras e cartazes com frases de antigos presidentes do Grémio e da APIGRAF, de Antero de Quental e de outras personalidades, estabelecendo uma ligação entre diferentes períodos da indústria gráfica e do movimento associativo.
O movimento associativo dos industriais gráficos começou a organizar-se no século XIX, num período marcado pelo aparecimento de associações mutualistas e por uma crescente preocupação com as condições de trabalho e a representação dos profissionais. Em 1852 surgiram movimentos organizados no Porto e em Lisboa, antecedentes das estruturas que, através de diferentes designações e modelos, viriam a representar o setor ao longo das décadas seguintes.
A investigação realizada para a edição do livro 170 Anos do Movimento Associativo dos Industriais Gráficos permitiu reunir documentação, testemunhos, imagens e elementos históricos dispersos. O projeto foi desenvolvido com colaboração científica e com o apoio de várias empresas e entidades, conjugando investigação histórica, fotografia, design e produção gráfica.
A componente visual da obra resultou também da visita a empresas do setor, permitindo registar espaços de produção, equipamentos, trabalhadores, processos e diferentes realidades da indústria gráfica portuguesa. As fotografias de Paulo Catrica constituem, por isso, não apenas um complemento documental do livro, mas também um retrato contemporâneo de uma atividade que continua a evoluir tecnológica e economicamente.
A exposição tem vindo a ser apresentada em diferentes pontos do país, incluindo Coimbra e Ponta Delgada, adaptando-se aos espaços que a recebem. A passagem pela Galeria Imprensa Nacional da Biblioteca da IN acrescenta uma dimensão particularmente significativa ao projeto, colocando a história do associativismo gráfico num local intimamente ligado à produção impressa, à formação técnica e à cultura portuguesa.
A indústria gráfica atual ultrapassa largamente a produção tradicional de livros e jornais. O setor abrange áreas como a embalagem, a impressão de segurança, a comunicação visual, os materiais promocionais, o têxtil, o plástico, a decoração e a comunicação digital. Esta diversidade demonstra a capacidade de adaptação das empresas e a presença da produção gráfica em numerosos produtos e serviços do quotidiano.
A própria evolução da Imprensa Nacional-Casa da Moeda ilustra essa transformação. A impressão de segurança representa hoje uma parte central da sua atividade, incluindo a produção de documentos como o Cartão de Cidadão, passaportes, cartas de condução e títulos de residência, assim como boletins de voto e exames escolares.
Apesar da evolução tecnológica e da diversificação das áreas de atividade, a escassez de profissionais qualificados e de respostas de formação especializadas continua a constituir um dos principais desafios da indústria gráfica. A memória das antigas escolas e dos modelos de transmissão de conhecimentos técnicos ganha, neste contexto, uma atualidade particular.
Durante o período em que a exposição estiver patente, a APIGRAF promoverá também uma campanha especial de divulgação e venda do livro 170 Anos do Movimento Associativo dos Industriais Gráficos, com um desconto de 10% sobre o preço de venda ao público. A obra reúne contributos históricos, documentais e fotográficos sobre o percurso do associativismo e sobre a importância económica, cultural e social da indústria gráfica portuguesa.
A exposição reforça, assim, a preservação e a divulgação de uma história construída por empresas, profissionais, associações e instituições que, ao longo de várias gerações, contribuíram para o desenvolvimento e para a afirmação da indústria gráfica em Portugal.

